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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

"Alguma coisa a ver com uma missão", da Cia. Os Crespos revisita lutas negras no Brasil.

Fonte: Lau Francisco /Foto : Roniel Felipe 


"Sabe esse passado que não passa? Pois é... Enquanto houver senhores e escravos não estaremos dispensados da nossa missão (Heiner Müller)"
"Alguma coisa a ver com uma missão", da Cia. Os Crespos, volta em cartaz e leva o público a conhecer histórias das lutas negras por liberdade. Acompanhando duas personagens - uma Gari e uma auxiliar de enfermagem - que recebem um convite para viajar no tempo pelas águas da Calunga, o público reconhece trajetórias invisibilizadas pela história oficial. Contemplada pelo Proac Circulação de Rua da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo A Cia vai realizar diversas apresentações no Estado de São Paulo, sendo 5 apresentações na capital e nas cidades de Franco da Rocha, São Luis do Paraitinga, Santos, Ribeirão Preto e Registro,  entre os meses de fevereiro e março de 2018.
"Alguma coisa a ver com uma missão" parte da investigação sobre as evoluções locais e revoluções políticas latino-americanas a partir dos levantes negros no Brasil e no Caribe, tendo em vista a construção imaginária de uma revolução poética a favor da abolição do racismo. Através de uma viagem na qual passado e futuro se encontram, personagens movimentam-se dentro da nossa sociedade compreendendo as lutas por liberdades diversas como tochas acesas para o estopim das transformações sociais antirracistas. O espetáculo é uma criação livremente inspirada no texto "Lembrança de uma revolução: A Missão" de Heiner Müller.
"Com este espetáculo queremos resgatar as pequenas e grandes conquistas do dia-a-dia daqueles que, inversamente ao que até hoje se supôs, resistiam a se tornar meras engrenagens do sistema que os escravizara. Esse é o ponto de partida para uma verdadeira mudança de ponto de vista sobre a participação negra numa possível reestruturação social" explica Lucelia Sergio, uma das fundadoras dos Crespos, ao lado do ator Sidney Santiago Kuanza e Joyce Barbosa, que também integram o elenco.
O espetáculo
Duas mulheres - Uma auxiliar de enfermagem e uma gari – são convocadas, através de sonho, a viajar no tempo pelas águas da Calunga (palavra banto que significa mar, oceano e grande cemitério). Elas fazem o trajeto guiadas por uma barqueira que lhes transmite uma missão. Cada parada no percurso é um enigma que as personagens devem desvendar para cumprir seus destinos. Por intermédio desta alegoria, Os Crespos transportam o público para uma viagem que remonta as revoltas e os levantes negros responsáveis por nossa liberdade e símbolos da resistência de um povo.

Musicalidade do espetáculo baseia-se em Vissungos
Os VISSUNGOS são cantos afro-brasileiros originais de Minas Gerais e cantados por descendentes de escravos, ainda hoje presentes em algumas manifestações populares de Minas e em alguns quilombos deste Estado.
O espetáculo se inspira nessa musicalidade para criar músicas próprias, além de recriar alguns vissungos originais durante o percurso da peça e os músicos acompanham público e atores em todo o trajeto.
Quem são os Crespos
Os Crespos é um coletivo teatral de pesquisa cênica e audiovisual, debates e intervenções públicas, composto por atrizes e atores negros. Formo-se na Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP e está em atividade desde 2005. A Cia. trabalha, há onze anos, a construção de um discurso poético que debata a sociabilidade do indivíduo negro na sociedade contemporânea e seus desdobramentos históricos, aliado a um projeto de formação de público. A Cia realizou, ao longo desses 12 anos, 6 espetáculos teatrais, 11 intervenções urbanas, 2 edições da Mostra Cinematográfica “Faz lá o Café”, a 1.a Mostra de Teatro Negro de São Paulo, os premiados curtas “D.O.R”, “Nego Tudo” e “Ser ou Não Ser”, a elaboração e publicação da revista de teatro negro "Legítima Defesa", além da circulação com espetáculos, intervenções e palestras por diversas cidades e estados do país.
Ficha Técnica
Direção Coletiva - Os Crespos Atores - Lucélia Sergio, Sidney Santiago Kuanza, Dani Nega, Dani Rocha, Joyce Barbosa e André Luis Patrício Orientação de direção - José Fernando de Azevedo e Kenia Dias Dramaturgia - Allan da Rosa e Os Crespos Direção Musical: Giovani Di Ganzá Músicos: Gisah Silva e Giovani Di ganzá Musicas Criadas: Giovani Di ganzá e Lucelia Sergio Direção de Arte - Maya Mascarenhas Assistente de direção de arte - Gui Funari Cenotécnico - Wanderley Wagner da Silva  Adereços - Cleydson  Catarina Iluminador – Edu Luz Produção Executiva - Felipe Dias Contrarregras - Rogério Aparecido, Felipe Dias e Frederico Peixoto de Azevedo Orientação de criação e assistência de direção - Lena Roque Preparação Musical - Mauá Martins Preparação Corporal - James Turpin/ Lena Roque Preparação Teórica - Allan da Rosa, Saloma Salomão e Marc Pierre colaborações de Dramaturgia no processo - Christian Moura Assessoria de Imprensa - Lau Francisco (7 Fronteiras Comunicação) Designer Gráfico - Rodrigo Kenan Fotografia - Roniel Felipe

Serviço
Dia 25 de fevereiro, às 19h, na Praça da Casa de Cultura M’Boi Mirim, Av. Inácio Dias da Silva, sem número, Piraporinha (em parceria com a Cia. Sansacroma)
Dia 03 de março – São Luis do Paraitinga, Praça Dr. Oswaldo Cruz, às 20h, seguido de debate
6 de março Praça Sete Jovens, Rua Pedro Pomar-Eliza Maria, zona norte de São Paulo, às 19h (Em parceria com a Terça Afro com debate)
Dias 16 e 17 de março, na Praça Ramos, Centro de SP, às 20h na sexta e sábado Início nas Escadarias do Theatro Municipal.
4 de abril – Franco da Rocha, Parque Municipal Benedito Bueno de Morais, Centro, às 18h – Rua Nelson Rodrigues 400, Centro (começa com texto e fotos)

Classificação etária: Livre
Espetáculo Gratuito
Duração: 75 min

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