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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Afroeducação e APAN realizam exibições de curtas-metragens de realizadores negros para pensar curadoria

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Cena do filme “Cabelo Bom”, de Swahili Vidal

São Paulo, agosto de 2017 - Com o objetivo de promover a reflexão sobre o cinema negro brasileiro e sua relação com a curadoria, a Afroeducação, em parceria com o Clube do Professor, contou com o apoio da APAN - Associação dxs Profissionais de Audiovisual Negro - a fim de promover, no sábado, 26 de agosto, das 11h às 13h, no Espaço Itaú de Cinema (Shopping Frei Caneca), uma exibição de curtas metragens de realizadores negros. Após a exibição haverá um bate papo com a presença dos realizadores e de curadores negros.
Os filmes que serão exibidos são: “Cabelo Bom”, de Swahili Vidal, que aborda a maneira como as mulheres negras são pressionadas esteticamente para que se enquadrem em padrões pré-estabelecidos; “Dara”, de Renato Candido, sobre uma criança negra que decide montar um balanço no sítio onde mora, na zona rural da Bahia, antes de se mudar para São Paulo; e “Preto No Branco”, de Valter Rege, sobre um jovem negro que é abordado por policiais acusado de roubo.

Essas três obras foram selecionadas pelo Edital Curta Afirmativo, realizado pela Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura, receberam financiamento público, foram dirigidos por pessoas negras e agora estão enfrentando os desafios de construir uma boa carreira de festivais, buscando alcançar o público e ter seu valor reconhecido pelos júris e selecionadores.

“É fundamental pensarmos os motivos pelos quais as produções realizadas por nós dificilmente são selecionadas para as mostras competitivas, mas os eventos costumam incluir mesas e debates sobre diversidade, questões raciais, mulheres negras e outros temas que competem a nós. Nossa presença é válida em mostras paralelas, mas nos grandes eventos, que sao fundamentais para uma boa pontuação junto a Ancine e, assim, conseguir investimentos nas futuras produções, só uma minoria é contemplada”. declara Viviane Ferreira, presidente da APAN.

Ter uma obra selecionada para um festival estabelece critérios que serão fundamentais para duas fases críticas dessa cadeia audiovisual: o financiamento de projetos e circulação dos filmes prontos. São dois gargalos históricos encontrados pela produção artística negra em geral e pelo audiovisual em particular. Gargalos difíceis de serem enfrentados, uma vez que é necessário lidar com a complexidade e obscuridade do racismo estrutural.

Após as exibições, o evento contará com a presença do crítico e curador Heitor Augusto e o parecerista e jurado Fernando Timba para debater com os diretores dos curtas Renato Cândido e Valter Rege sobre a relação dos filmes negros com as  comissões de seleção de projetos, curadorias, e com o público no contexto dos festivais. A conversa será mediada pela curadora e pesquisadora Priscila Oliveira e tentará responder a pergunta urgente que dá título a um dos artigos de Heitor, afinal o “problema é só dos filmes ou o problema também somos nós?”.

SINOPSES
Cabelo Bom / Swahili Vidal / 2017/ 15'
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Como as mulheres negras são pressionadas esteticamente para que se enquadrem em padrões pré-estabelecidos? O documentário de curta metragem “Cabelo bom“ propõe fazer um recorte desse universo. O filme dá voz a três personagens que expõe a relação delas e seu cabelo crespo. Elas conseguem contar suas trajetórias de vida, histórias de preconceito e nos mostrar como a autoaceitação de suas raízes, capilares inclusive, foi e é fundamental para se afirmarem como mulheres negras num país como o Brasil.

Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Swahili Vidal
Codireção: Claudia Alves
Produção Executiva: Felipe Haurelhuk, Eduardo Calvet
Fotografia: Pedro Pipano
Produção: Claudia Alves, Leticia Pires, Swahili Vidal, Zelia Balbina
Montagem: Bruno Reis
Som Direto: Daniel Brooking
Edição De Som: Tony Pereira
Colorização: Fernando Lui (Marla Color Grading)
Arte: Marcio Sal
Assistente de Fotografia: Gui Tostes
Trailer: Wesley Martins
Preto No Branco / Valter Rege /  2016 / 15'
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Roberto Carlos, 20 anos, jovem negro, é abordado por policiais e levado para delegacia. Uma jovem o acusa de roubo. Ele jura inocência. Quem fala a verdade?

FICHA TÉCNICA
Atores: Marcos Oliveira, Maria Bopp, Carolina Holanda, Taiguara Nazareth, Guilherme Lopes
Direção e Roteiro: Valter Rege
Produção Executiva: Maria Clara Fernandez
Diretor de Produção:  Marcelo Ramos
Coordenação de Produção: Clara Guimarães
Diretor Assistente: Henrique Carvalhaes
Diretor de Fotografia: Felipe Hermini
Diretora de Arte: Monica Palazzo
Figurinista :Melina Schleder
Som Direto: Geraldo Ribeiro
Caracterização: Ebony
Montador: Igor Dias
Colorista: Marcio Pasqualino
Pós produção de áudio /Mixagem: Atelier Vitché
Trilha Incidental: Daniel Salvia
Coordenação de Pós-produção: Francisco Ruiz


Dara / Renato Cândido /  2017 / 18''
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Dara, uma garota negra de 10 anos, da região rural de Nova Soure/BA ainda nos anos 60. Na véspera de migrar para São Paulo, Dara deseja montar um balancinho no cajueiro do sítio onde mora com os avós e seu irmãozinho.

Diretora Executiva: Viviane Ferreira Da Cruz
Diretor e Roteirista: Renato Candido De Lima
Direção de Produção: Bruna Anjos
Direção de Fotografia: André Luiz De Luiz
Som Direto: Irla Franco
Montagem: Cristina Amaral
Edição de Som: Eric Christani
Direção de Arte: Fernando Timba e Luana Castilho

Convidados da Mesa:
Fernando Timba - Desenvolve trabalhos em diversas áreas do audiovisual como direção, direção de arte para cinema e animação. Integrou a comissão de seleção do Prêmio Estímulo de Curta-Metragens 2012, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Participa do Júri Profissional do Festival Anima Mundi desde 2009. Jurado da edição 2014 do festival Curta Santos ao lado de André Klotzel e Lilian Solá Santiago. Desde 2015 atua como parecerista externo de projetos de audiovisual da Ancine / FSA. Orientou projetos de longa metragem de ficção no I Lab Cinegritude, parceria APAN e Spcine - 2016. Júri do Festival comKids Prix Jeunesse Iberoamericano 2017. Premiado no 8º Festival Latino Americano de Cinema como Melhor Projeto de Curta Ficção pela ABD-SP, 2013.

Heitor Augusto - é crítico de cinema, pesquisador, professor e jornalista. Escreveu para a
Interlúdio entre 2011 e 2015.  É autor do ensaio sobre Alma Corsária, publicado em 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016), livro organizado pela Abraccine.
Como professor ministrou os cursos Blaxploitation e o Cinema Negro dos EUA, Cinema
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Americano – Anos 70, Um Olhar Sobre o Cinema Autoral Brasileiro, Historiografia do Cinema Brasileiro, Multiplicidades do Cinema Africano, entre outros. Desde 2015 coordena o Janela Crítica, oficina do Janela Internacional de Cinema do Recife, além de ter ministrado workshops no mesmo formato no Festival Internacional de Curtas de São Paulo (2013-15) e Panorama Coisa de Cinema/BA (2016).
Atuou também como curador do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2017), da
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14ª Mostra ABD Cine Goiás, do FICA (2016), e da MIMO – Festival de Cinema e Música
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(2013-2015). Como jurado de programas de fomento participou do 9º Funcultura (PE) nacategoria Curtas-metragens (2016) e do Mapa Cultural Paulista (2015). Também integrou
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o júri oficial da 20ª Mostra de Tiradentes (2017), da 12ª Goiânia Mostra Curtas (2012) e
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do 6º Anápolis Festival de Cinema (2016). Mantém o blog Urso de Lata .Prepara-se para lançar em 2017 um livro de ensaios sobre o cinema Blaxploitation a partir de uma perspectiva estética, histórica, política e racial.

Priscila Oliveira  - é formada em Ciências Sociais e Midialogia. Atualmente, pesquisa direção de criança para cinema no curso de Mestrado em Artes da Cena e mantém na formação e experiências voltadas para roteiro e direção, ampliando conhecimentos teóricos e práticos em outras áreas do audiovisual. É pesquisadora de trabalhos que envolvem o negro e a mulher no cinema (seja à frente ou por trás das câmeras), principalmente em relação à construção de personagens.

Renato Cândido -  Cineasta formado no Bacharelado em Audiovisual e Mestre emCiências da Comunicação pela ECA/USP. Nos projetos acadêmicos, trabalha interlocuções
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entre dramaturgia e identidades negra, popular e periférica. atuou como professor de fotografia, direção de arte e roteiro nos cursos de Rádio/TV e de Fotografia da FMU - Faculdades Metropolitanas Unidas entre fevereiro de 2012 a Junho de 2014.
Atualmente leciona Produção Audiovisual para Graduação em Publicidade na Faculdade Zumbi dos Palmares. Para a TV Cultura, através da empresa Produtora “Dandara Produções Culturais e Audiovisuais - LTDA”, na qual é sócio-proprietário, roterizou episódios da série televisiva “Pedro e Bianca”, premiada no Prix Jeunesse Iberoamericano 2013, Emmy Kids Awards 2013 e Prix Jeunesse Internacional 2014.

Valter Rege - é autor da obra “Sempre Amigos”, publicada pela editora Multifoco, em 2013, e formado em Rádio e TV pelo Centro Universitário Belas Artes.
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Diretor de obras audiovisuais e roteirista, além de ser profissional da equipe da Academia de Filmes, reconhecida produtora de filmes de São Paulo. Começou a carreira profissional aos 15 anos, escrevendo e dirigindo vídeos em sua comunidade e, atualmente, segue escrevendo e dirigindo filmes que abordam assuntos relacionados a problemas sociais.
Possui um canal no Youtube sobre comportamento e filosofia de vida chamado “Energia Positiva”, onde levanta questões em relação a homossexualidade, preconceito racial, desigualdade social e autoestima, sempre de forma leve e descontraída.  

Sobre a sessão AfroeducAÇÃO no Cinema:

A proposta de realização de cineclubes, dentro do projeto AfroeducAÇÃO no Cinema, em parceria com o Clube do Professor e o Espaço Itaú de Cinema, tem como foco proporcionar diálogos com os realizadores dos filmes do chamado Cinema Negro Brasileiro.

As sessões bimestrais "AfroeducAÇÃO no Cinema" tiveram início na cidade de São Paulo, em 2011, motivadas pela necessidade de conhecer e valorizar a cultura e a identidade negras, por meio de uma metodologia transformadora, direcionada, principalmente, a educadores(as) interessados(as) na aplicação da Lei Federal 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afrobrasileira na Educação Básica.

Para isso, a AfroeducAÇÃO escolheu a promoção de cineclubes como estratégia, tendo em vista a capacidade de sensibilização e de mobilização do audiovisual. Neste processo de troca de experiências e de conhecimentos, os(as) participantes também são despertados(as) para a possibilidade de trabalhar com as produções exibidas como recursos pedagógicos, conforme os preceitos da educomunicação, a fim de permitir que as vivências dos(as) aprendizes façam parte de suas aprendizagens.


Sobre a APAN
As primeiras conversas para a criação da Associação dxs Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) começaram no ano de 2013, durante o "VI Encontro de Cinema Negro: Brasil, África, América Latina e Caribe - Zózimo Bulbul", realizado pelo Centro Afrocarioca de Cinema na cidade do Rio de Janeiro, e se concretizou em 2016. A APAN é uma instituição de fomento, valorização e divulgação de realizações audiovisuais protagonizadas por negras e negros, de todas as regiões do Brasil, e dedica-se ao fortalecimento da relação entre profissionais negros e o mercado audiovisual.  
Trazendo como pilares estruturantes de sua formação, constituição e política a defesa de uma perspectiva inclusiva, com atenção ao recorte racial, em relação a todos os elos da cadeia produtiva audiovisual, sendo eles a concepção, produção, distribuição e exibição. Neste sentido, a APAN representa estes interesses perante órgãos públicos, fundações, instituições, ONGs e iniciativas privadas no Brasil e no Mundo.


SERVIÇO
Exibições de curtas-metragens de realizadores negros
Sábado, 26 de agosto, às 11h (ingressos distribuídos a partir das 10h30)
Local: Espaço Itaú de Cinema (Shopping Frei Caneca) - Rua Frei Caneca, 569
Entrada gratuita

Informações sobre a AfroeducAÇÃO

Informações sobre a APAN

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