Com uma menina que sonha em ser adulta, Planeta Pelúcia faz nova temporada no Sesc Belenzinho Com texto de Bruno Canabarro e direção de Rodolfo Amorim, espetáculo da CASCA – Coletivo de Criação aborda as relações entre crianças e adultos e propõe uma reflexão sobre solidão, consumo e produtividade na infância. Link do teaser: Link A CASCA – Coletivo de Criação apresenta uma nova temporada de Planeta Pelúcia, espetáculo dirigido por Rodolfo Amorim, que parte de uma pesquisa sobre as infâncias. Após estrear em abril deste ano, no Sesc Consolação, a montagem chega ao Sesc Belenzinho, onde fica em cartaz de 24 de outubro a 29 de novembro, com sessões às 12h, incluindo os feriados de 2 e 20 de novembro. Escrito por Bruno Canabarro, que integra o elenco ao lado de Bruna Betito e Paula Spinelli, o espetáculo conta a história de Pati, uma menina de nove anos que sonha em ser adulta. Ela acredita que, ao crescer, finalmente será vista e ouvida, além de poder frequentar lugares que ainda são proibidos para sua idade. A peça aborda os desejos e as inquietações das crianças, explorando questões de identidade, autonomia e a relação com os adultos. O grupo busca fugir dos estereótipos comuns da infância, mostrando ao público que a curiosidade, a vontade de superar desafios e os desejos são inerentes ao ser humano, independente da idade. Enquanto no primeiro espetáculo do grupo, Aqui Tem Vida Demais!, as crianças enfrentavam o luto sem o apoio dos adultos, em Planeta Pelúcia o foco está nas relações entre o universo infantil e o adulto. A montagem propõe uma reflexão sobre a convivência entre essas duas gerações, buscando relações menos hierárquicas, nas quais as crianças também tenham espaço para expressar seus desejos e opiniões. “Embora a adultização seja o grande plano de fundo, durante o processo percebemos que a peça acabou sendo muito mais sobre a solidão dessas crianças da cidade que vivem praticamente fechadas em casa. Nossa protagonista se sente sozinha e usa a imaginação para criar diversos mundos. E assim surgiu a vontade de adentrar o universo dos adultos”, conta Amorim. Sobre a encenação Na história, Pati tenta entrar no quartinho de bagunça dos adultos, um espaço proibido para crianças, onde estão guardados objetos, documentos, memórias e segredos. Quando finalmente consegue abrir a porta, “como efeito da magia que há nos desejos de criança”, passa a enxergar essa outra realidade. Pati também entra em contato com figuras da mídia nas mais diversas áreas, como ídolos do esporte, influenciadores de beleza, coaches e até crianças que se tornam famosas nas redes sociais. Quanto mais ela avança por esse universo, mais se distancia de seu grande amigo, o urso de pelúcia que a acompanha em todos os momentos. Para mostrar todo o seu percurso por esse mundo, a obra conta com uma câmera ao vivo, que amplifica o que é encontrado em uma “casa de bonecas”, reflexo do quartinho dos adultos. Há também o recurso audiovisual das projeções de Vic Von Poser, remetendo diretamente ao consumo exacerbado, além da música ao vivo executada por Demian Pinto e Gabi Queiroz, que estão vestidos de pelúcia e formam a Banda Telúrica, e da iluminação de Daniel Gonzalez, que cria atmosferas cósmicas e, entre luzes e sombras, revela os conflitos de uma criança que anseia pelo mundo adulto. Em Planeta Pelúcia, a CASCA – Coletivo de Criação inventou a Síndrome da Adultopia: o “sonho-sem-graça” que acomete as crianças que desejam crescer antes do tempo. O diagnóstico vem de Traça e Cupim, bichinhos-leitores que estão no quarto dos adultos e devoram livros e palavras, atuando como dispositivos líricos que falam em pontuações e misturam metalinguagem com certo humor filosófico. “As sociedades totalmente guiadas por produtividade, estética, autocontrole e consumo também moldam as crianças, o que estimula esse desejo de crescimento acelerado. Nesta peça, é a criança quem deseja. Por isso, o que muito me interessa na pesquisa é o que vemos como desobediência infantil. Os pequenos e as pequenas têm vontades próprias e, como nem sempre compreendemos isso, não abrimos espaço para o diálogo, simplesmente associamos à desobediência e à má educação. Eu gostaria que os adultos pensassem sobre isso enquanto assistem ao trabalho: em como podemos mediar as vontades infantis ao invés de simplesmente se impor”, comenta Bruno Canabarro. Ao construir uma narrativa que é simultaneamente uma aventura infantil e um estranhamento adulto, a peça opera como espelho. Há momentos em que a comunicação entre Pati e os pais falha radicalmente. A incompreensão mútua torna-se física, sonora, quase coreográfica. Há força nessa descomunicação, até que pela dança e pelo brincar – não pela língua racional – a ponte se restabelece, como se um novo mundo nascesse. “Pati é jogada para esse mundo novo sem nenhum suporte e, quando ela tenta voltar à sua infância, já não consegue mais. Por esse motivo, acreditamos que o tal Planeta Pelúcia é um lugar de segurança e proteção, onde as crianças podem crescer asseguradas. E é justamente essa a nossa responsabilidade enquanto adultos. Paulo Freire já dizia, baseado num provérbio africano, que é preciso de uma comunidade inteira para educar uma criança. Então, estamos convidando os adultos a realmente olharem para as crianças ao invés de invalidá-las”, reflete o dramaturgo. Sinopse Planeta Pelúcia narra a história de uma criança que, ao desejar crescer antes do tempo, invade o quartinho de bagunça dos adultos, lugar onde ainda não deveria entrar. Lá dentro, mesmo sentindo que seu maior sonho foi realizado, algo bastante estranho toma conta de sua realidade, já que o mundo dos adultos é, digamos, peculiar. Assim, após chegar lá, ela terá que percorrer um longo caminho de volta à sua infância, reencontrando com a criança que, ao fim, nunca deixou de ser. Ficha Técnica Dramaturgia: Bruno Canabarro
SERVIÇO Espetáculo: PLANETA PELÚCIA Dramaturgia: Bruno Canabarro
Datas e horários: Local: Teatro (374 lugares). Duração: 60 min. Classificação: Livre. Ingressos: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia-entrada); R$ 12,00 (Credencial Plena); Crianças até 12 anos não pagam ingresso. Vendas no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc.
Informações para imprensa Adriana Balsanelli
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000. Telefone: (11) 2076-9700 Estacionamento De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h. Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional.
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