Festival ZUM promove debates com artista Carrie Mae Weems, a cineasta Anna Muylaert e a fotógrafa Paula Sampaio
Festival ZUM traz pela primeira vez ao Brasil a artista Carrie Mae Weems, promove conversas, oficina e feira de fotolivros no IMS Paulista, além de lançar a nova edição da revista ZUM
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Organizado pela revista de fotografia contemporânea do Instituto Moreira Salles, o Festival ZUM acontece nos dias 7 e 8 de novembro (sábado e domingo), no IMS Paulista. São dois dias de atividades gratuitas, incluindo feira de fotolivros, conversas com artistas e oficinas, entre outros. Também será lançada a 31ª edição da revista ZUM.
Em sua 11ª edição, o Festival ZUM tem como destaque a artista estadunidense Carrie Mae Weems, que vem pela primeira vez ao Brasil apresentar seus 40 anos de trabalho e contar como usa a fotografia para refletir sobre poder, identidade e ativismo. Em uma parceria do IMS com a Women Photographers International Archive (WOPHA), a conversa será mediada pela historiadora da arte e curadora cubana Aldeide Delgado e pela curadora de arte contemporânea do IMS Daniele Queiroz.
No debate Democracia em movimento, os cineastas Adirley Queirós e Anna Muylaert falam sobre a responsabilidade do cinema de narrar a história do Brasil para fortalecer a democracia. A programação traz também uma mesa com a fotógrafa Paula Sampaio e a produtora cultural Ana Aurora Borges sobre os registros das populações amazônicas, entre outros destaques.
Debates
No sábado (7 de novembro), o festival inclui três debates. Às 14h30, os fotógrafos Renan Teles, Valentina Tong e a artista Inaê Moreira, na mesa Habitar territórios, conversam sobre suas obras que revelam disputas urbanas, ambientais e históricas, com mediação de Rony Maltz, editor da ZUM. No início do debate, Inaê Moreira, vencedora da Bolsa ZUM/IMS em 2025, apresenta uma performance de seu trabalho Doze flechas feitas de água, desenvolvido no período da Bolsa.
Em seguida, às 17h, a mesa Memórias urgentes reúne a fotógrafa Paula Sampaio e a produtora cultural Ana Aurora Borges. Sampaio apresenta registros das populações amazônicas e de seus conflitos feitos ao longo de décadas vivendo em Belém, enquanto Aurora aborda o desafio de preservar a obra do pai, o premiado fotojornalista Antônio Gaudério, que perdeu a memória após um acidente. A mediação é da fotógrafa Marlene Bergamo.
O primeiro dia do Festival ZUM termina com a conversa com Carrie Mae Weems, realizada às 19h, em parceria com a WOPHA. Nascida em 1953, Weems é uma das mais influentes artistas norte-americanas. Ao longo dos últimos quarenta anos, construiu uma obra que discute identidade, território, racismo e relações de poder, utilizando fotografias, texto, tecido, áudio, imagens digitais, instalações e vídeo.
O festival continua no domingo (8 de novembro) com mais duas mesas.
Às 15h, Lia D Castro e Manauara Clandestina falam sobre seus trabalhos, em conversa mediada pela artista Cinthia Marcelle. Com polaróides e fotos de celulares, Lia D Castro usa a prostituição e a fotografia para investigar o ódio e o desejo, a masculinidade e a branquitude, enquanto Manauara Clandestina constrói um arquivo que celebra o cotidiano e a comunidade travesti ao seu redor.
E às 17h, encerrando o festival, acontece a conversa entre Adirley Queirós e Anna Muylaert sobre cinema e democracia, com mediação de Mariana Queen Nwabasili.
Oficinas, conversas e feira de fotolivros
No sábado (7/11), às 10h, acontece a apresentação das publicações selecionadas na Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS. A seleção traz um panorama dos fotolivros lançados no último ano. Em seguida, às 12h30, serão anunciados os premiados da convocatória.
No domingo (8/11), às 11h, na Biblioteca de Fotografia, as curadoras Aldeide Delgado e Daniele Queiroz falam sobre os desafios enfrentados por mulheres no circuito da fotografia nas Américas. A conversa é uma parceria entre o IMS e a WOPHA, cujo Delgado é a fundadora.
Ainda no domingo, às 10h30, oficina com os criadores do selo colombiano Ediciones Réplica, Arturo Salazar e José Ruiz, que convidarão os participantes a conceber, editar e produzir uma publicação colaborativa.
Nos dois dias de festival, há a exibição da instalação Doze flechas feitas de água, de Inaê Moreira, no foyer do Cinema. Comissionada com apoio da Bolsa ZUM/IMS, é a primeira vez que a obra é apresentada ao público. E a feira de Fotolivros reunirá publicações de cerca de 30 editores, coletivos e artistas no térreo do centro cultural. A visitação é aberta ao público das 10h às 18h.
ZUM #31
No festival será lançada a 31ª edição da revista ZUM, que estará à venda no centro cultural e na loja virtual do IMS. A capa do novo número traz fotografia da série Nos txôn (2019), da artista luso-cabo-verdiana Marta Pinto Machado, que apresenta autorretratos feitos por sua mãe, Lúcia, que trabalhou como empregada doméstica em Paris nos anos 1980. As fotos revelam o desejo de Lúcia de narrar a própria história, rejeitando o olhar colonial.
Na série Projeto Família, o fotógrafo Motoyuki Daifu compartilha a intimidade de seu lar numa casa no subúrbio de Yokohama, no Japão, em instantâneos desconcertantes e bem-humorados apresentados pela curadora Yoko Sawada.
Ainda nesta edição, a artista Inaê Moreira, vencedora da Bolsa ZUM/IMS 2025, viajou de Salvador ao Benin com a irmã, Safira Moreira, para homenagear a espiritualidade afro-brasileira que une os dois lados do Atlântico, produzindo fotografias acompanhadas de textos poéticos.
Outro destaque da revista são as fotos de Sebastião Pires de Oliveira (1942-2015), presentes no abre e em matéria da revista. As imagens documentam a vida no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, onde morou por 30 anos. Atualmente, a obra do artista está em cartaz em uma exposição no Museu de Arte Do Rio
A revista também apresenta Filha natural, ensaio visual de Aline Motta em que combina documento e ficção, editado especialmente para ZUM e analisado pelo cineasta Heitor Augusto.
A ZUM #31 traz ainda uma entrevista feita pela curadora Renée Mussai com o artista do Lesoto Thato Toeba que constrói obras tridimensionais com fragmentos de retratos, manifestações políticas e cenas icônicas da história da fotografia. O trabalho está no pôster da edição.
A artista Rosalind Fox Solomon (1930-2025) apresenta autorretratos e textos diarísticos, numa exposição corajosa que enfrenta o voyeurismo, os papéis de gênero, a depressão e o envelhecimento. O professor Kristof Titeca e o dramaturgo Yusuf Serunkuma analisam calendários com fotografias espalhados pelas ruas de Kampala, Uganda, que mesclando líderes políticos e super-heróis do cinema narram disputas de poder e denunciam injustiças.
A partir de fotografias, relatos e outras tecnologias visuais, a organização Redes da Maré, que atua no conjunto de 16 comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro, desenvolve uma análise forense comunitária. Os pesquisadores May Sardinha, Maïra Gabriel Anhorn e Thayssa Rios explicam como essa metodologia é utilizada para produzir e interpretar evidências de violações de direitos no território, na luta por justiça e reparação.
A pesquisadora Maria Laura Rosa reflete sobre o legado da parceria artística e afetiva de Alicia D’Amico e Sara Facio, cujos fotolivros ajudaram a consolidar a circulação da fotografia argentina e renovaram a produção editorial dos anos 1970 e 1980 na América Latina.
SERVIÇO
FESTIVAL ZUM
7 e 8 de novembro (sábado e domingo)
Evento presencial | Entrada gratuita
Acesse a página do site
IMS Paulista
Avenida Paulista, 2424. São Paulo
Tel.: 11 2842-9120
*Todos os eventos têm entrada gratuita. Para os debates, serão distribuídas senhas na bilheteria, a partir das 12h, com limite de 1 senha por pessoa. Para a conversa com autores da convocatória e anúncio dos vencedores, a entrada é gratuita e sujeita à lotação do espaço. Para a oficina, também serão distribuídas senhas 30 minutos antes. Os eventos contam com interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).
Programação completa
SÁBADO (7/11)
10h
Conversa da Convocatória de Fotolivros 2025 | Biblioteca
12h30
Anúncio dos premiados da Convocatória de Fotolivros 2025 | Biblioteca
13h-20h
Exposição da Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS | Biblioteca
10h-18h
Feira de fotolivros + lançamentos com autores | Térreo
14h-20h
Doze flechas feitas de água, de Inaê Moreira | Foyer do Cinema
14h30
Debate | Habitar territórios
Renan Teles, Valentina Tong e Inaê Moreira + Performance Doze flechas feitas de água de Inaê Moreira. Mediação: Rony Maltz
17h
Debate | Memórias urgentes
Com Paula Sampaio e Ana Aurora Borges. Mediação: Marlene Bergamo
19h
Debate | Ritual e revolução
Com Carrie Mae Weems. Mediação: Aldeide Delgado e Daniele Queiroz
DOMINGO (8/11)
10h-20h
Doze flechas feitas de água, de Inaê Moreira | Foyer do Cinema
10h-20h
Exposição da Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS | Biblioteca
10h-18h
Feira e lançamentos de fotolivros | Térreo
10h30-12h30
Oficina: Publicações possíveis, com Arturo Salazar e José Ruiz (Ediciones Réplica) | Sala de aula – 2º andar
11h
Mulheres na fotografia das Américas, conversa com Aldeide Delgado e Daniele Queiroz. Parceria: WOPHA / Biblioteca
15h
Debate | Pulsão de vida
Com Lia D Castro e Manauara Clandestina. Mediação: Cinthia Marcelle
17h
Debate | Democracia em movimento
Com Anna Muylaert e Adirley Queirós. Mediação: Mariana Queen Nwabasili
Participantes
Adirley Queirós (Morro Agudo de Goiás, GO, 1970) é cineasta, graduado em cinema pela UnB e morador de Ceilândia. Realizou os filmes A cidade é uma só? (2012), Era uma vez Brasília (2017) e Mato seco em chamas (2022), entre outros. Branco sai, preto fica (2014) ganhou diversos prêmios, entre eles o de Melhor Filme no Festival de Cinema de Brasília.
Aldeide Delgado (Havana, Cuba, 1983) é historiadora de arte e curadora. Fundou e dirige a Women Photographers International Archive (WOPHA), organização sem fins lucrativos que pesquisa, promove e apoia o papel das mulheres e das pessoas identificadas como não binárias na fotografia.
Anna Muylaert (São Paulo, SP, 1964) é diretora e roteirista, autora dos filmes Durval Discos (2001) e A melhor mãe do mundo (2025), entre outros. Seu filme Que horas ela volta? (2015) venceu mais de 60 prêmios, entre eles o Prêmio do Público na 65ª Berlinale. É membro da Academia do Oscar.
Ana Aurora Borges (São Paulo, SP, 1994) é produtora cultural e gestora de arte. Formada em letras e comunicação, é mestranda em arte e literatura na Universidade Federal de São Paulo. Filha do fotojornalista Antônio Gaudério, atua na preservação e divulgação da obra do pai, que perdeu a memória em um acidente sofrido em 2008.
Carrie Mae Weems (Portland, EUA, 1953) é uma das mais influentes artistas norte-americanas. Ao longo dos últimos 40 anos, construiu uma obra que discute identidade, território, racismo e relações de poder, utilizando fotografias, texto, tecido, áudio, imagens digitais, instalações e vídeo. Recebeu diversos prêmios, entre eles a Bolsa MacArthur “Genius” e o prêmio pelo conjunto da obra da Fundação Black Caucus do Congresso dos Estados Unidos, em 2013.
Cinthia Marcelle (Belo Horizonte, MG, 1974) é artista visual. Realizou exposições no Museu de Serralves (2025), na Modern Art Oxford (2017) e no MoMA PS1 (2016). Participou da 59ª Carnegie International (2026) e da 57ª Bienal de Veneza (2017) junto com Tiago Mata Machado, recebendo o prêmio de Menção Honrosa.
Daniele Queiroz (São Paulo, SP, 1986) é curadora de Arte Contemporânea no IMS. Doutoranda e mestra em arquitetura e urbanismo pela FAU-USP, foi cocuradora das exposições Zanele Muholi: beleza valente e Entre nós: dez anos da Bolsa ZUM/IMS. É criadora do projeto A História é Outra, plataforma que pesquisa e difunde o trabalho de mulheres artistas no campo da fotografia.
Ediciones Réplica (Colômbia, 2020) é um coletivo independente de pesquisa, edição e curadoria fundado por Arturo Salazar e José Ruiz. O coletivo investiga as histórias e os arquivos da fotografia latino-americana, produzindo publicações, palestras, programas públicos e exposições.
Inaê Moreira (Salvador, BA, 1990) é artista multimídia, diretora e performer, formada em dança pela Universidade Federal da Bahia e mestranda em artes pelo PPGArtes/Uerj. Ganhadora da Bolsa ZUM/IMS 2025, foi destaque da revista ZUM #31.
Lia D Castro (Martinópolis, SP, 1978) é artista visual e escritora. Realizou palestras em Vevey e Lausane, na Suíça. Atualmente desenvolve o projeto Seus Filhos Também Praticam, utilizando sua experiência com a prostituição como ferramenta de investigação sobre raça, classe, gênero e sexualidade.
Manauara Clandestina (Manaus, AM, 1992) é artista, trabalha com performance, música, fotografia, cinema e transmutação têxtil. Foi diretora artística do Ateliê TRANSmoras, ao lado de Vicenta Perrotta. Participou da 60ª Bienal de Veneza (2024), da 36ª Bienal de São Paulo (2025) e da 16ª Bienal de Gwangju.
Mariana Queen Nwabasili (São Paulo, SP, 1990) é jornalista, pesquisadora e curadora-programadora de filmes. Doutoranda e mestra em meios e processos audiovisuais pela ECA/USP e mestra em curadoria cinematográfica pela Elías Querejeta Zine Eskola, na Espanha, programou mostras e festivais, como Tiradentes, CineBH, CineOP, Forumdoc.bh, Cabíria e FestCurtasBH.
Marlene Bergamo (São Paulo, SP, 1965) é fotojornalista há 35 anos. Fotografou para os jornais Notícias Populares e Folha de S.Paulo, onde trabalha desde 1995. É coautora dos livros Brasil bom de bola (Tempo D’Imagem, 1998) e Carandiru: registro geral (Wide Publishing, 2003). Atua como colaboradora na mídia independente.
Paula Sampaio (Belo Horizonte, MG, 1965) é fotógrafa, graduada em comunicação social pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Foi repórter fotográfica nos jornais Diário do Pará e O Liberal, entre outros e diretora do Núcleo de Fotografia do Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso (2009-2021), em Belém (PA). Foi destaque da revista ZUM #28.
Renan Teles (São Paulo, SP, 1986) é fotógrafo e artista multimídia. Participou da 36ª Bienal de São Paulo (2025) com o coletivo Vilanismo. Realizou as exposições Esmeraldas não é Cohab porque tem elevador (2021), no Centro Cultural São Paulo, e Fotografia popular brasileira (2018), na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo. Foi destaque da revista ZUM #30.
Rony Maltz é editor e professor, doutor em linguagens visuais pela EBA/UFRJ e mestre em fotografia pelo Bard College (NY). Criou o selo independente {Lp} press, com Carolina Cattan. Curador da exposição ZineZona (2026), no Instituto Moreira Salles, entre outras. É editor da revista ZUM.
Valentina Tong (1988) é fotógrafa, arquiteta e curadora. Graduou-se em arquitetura e urbanismo na Escola da Cidade, em São Paulo. Ganhou o prêmio Marc Ferrez de Fotografia com a série Viagem geológica no Seridó Potiguar (2022). Expôs a série Serra da Capivara no Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia,
em São Paulo (2023). Foi destaque da revista ZUM #30.
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