[ESTREIA | TEATRO SP] "Nossa Palestina" estreia no Centro Cultural Al Janiah, na Bela Vista e transforma teatro, música e memória em uma experiência sobre o povo palestino | A partir de 01 de Novembro
"Nossa Palestina", novo espetáculo do Núcleo Leila Khaled de Teatro e Cinema
A dramaturgia, assinada por Thiago B. Mendonça, parte de textos e obras de autores e figuras ligadas à história e à cultura palestinas, como Mahmoud Darwish, Ghassan Kanafani, Leila Khaled e Tawfik Zayyad, colocando-os em diálogo com textos de Eduardo Galeano, Norman Finkelstein, Adonis e Bertolt Brecht.
A montagem também incorpora música ao vivo, projeções cinematográficas, documentos, testemunhos e imagens que atravessam diferentes momentos da história palestina.
“Em tempos sombrios
Também se cantará?
Sim, neles se cantará
Sobre tempos sombrios”
Bertold Brecht
Mais do que utilizar o Al Janiah como palco, "Nossa Palestina" nasce da relação com o próprio espaço.
Maior centro cultural palestino da América Latina, o Al Janiah integra a dramaturgia: bar, salão, rua, quintal e demais ambientes são incorporados à encenação, e o público se desloca junto com atores e músicos durante o espetáculo.
A experiência começa no bar. Diante do público, uma roda de samba inicia a apresentação com uma pergunta que atravessará toda a montagem: "ainda é possível cantar diante do genocídio em Gaza?" A peça procura pensar o que fazer diante da violência e do apagamento.
A partir daí, "Nossa Palestina" constrói uma dramaturgia na qual poesia, testemunho, música, documento histórico e imagens de arquivo se contaminam.
O espetáculo recupera histórias e personagens da cultura e da luta política palestinas e discute a construção histórica da imagem do árabe e do palestino no cinema e nos meios de comunicação.
Entre as figuras que atravessam a montagem está o escritor e jornalista palestino Ghassan Kanafani, cuja experiência da Nakba e do exílio aparece em uma sequência encenada na rua. Surge também Leila Khaled, apresentada por diferentes atrizes e transformada em uma figura coral. Sua memória de Haifa, cidade da qual foi expulsa ainda criança, torna-se uma das imagens simbólicas da peça.
Cinema e teatro se encontram ainda na referência ao cineasta palestino Kamal Aljafari. A montagem recupera sua investigação sobre filmes israelenses e norte-americanos que utilizaram Jaffa como cenário para narrativas nas quais personagens árabes aparecem como inimigos ou terroristas. O procedimento de Aljafari — retirar digitalmente personagens de filmes para fazer reaparecer sua cidade sob as imagens — torna-se uma metáfora para uma das questões centrais de Nossa Palestina: como recuperar uma terra, uma história e uma memória submetidas ao apagamento?
A música ocupa lugar central nessa construção. Sob direção musical e preparação vocal de Natália Nery, o espetáculo reúne composições de Jonathan Silva, Natália Nery, Thiago B. Mendonça, Paulo Bandouki e Osvaldo Pinheiro, além de uma adaptação de Viva Palestina, de George Totari. Samba, canto coletivo, música palestina e outras formas musicais acompanham uma dramaturgia que oscila entre celebração, luto e denúncia. A direção de arte é do diretor Rogério Tarifa.
“O inimigo pode derrotar Gaza. (E o mar tempestuoso arrasar uma pequena ilha.)
Pode cortar todas as suas árvores. Pode quebrar seus ossos.
Pode plantar seus tanques na barriga de suas mulheres e de seus filhos, ou pode jogá-la na areia, no mar, no sangue.
Mas:
Gaza não repetirá as mentiras. Gaza não dirá sim aos conquistadores.
E continuará a explodir.
Não é morte, não é suicídio, é uma maneira de anunciar que é digna da vida.”
Mahmoud Darwish
UMA PEÇA QUE SE DESLOCA COM O PÚBLICO
A própria arquitetura do Al Janiah determina a estrutura de “Nossa Palestina”.
Em vez de permanecer diante de um palco convencional, o espectador é conduzido pelos diferentes espaços do centro cultural.
Em um dos momentos da montagem, a plateia deixa o bar e encontra na rua uma situação cênica inspirada em um relato de Ghassan Kanafani.
Em outro, chega ao quintal sob o som de drones e explosões. A tecnologia da guerra contemporânea e o genocídio em Gaza passa então ao centro da encenação.
“Fui poeta, amei, lutei
E escrevi sobre meu povo
Se pudesse viver outra vez
Nasceria palestino
E faria tudo de novo.”
Gassan Kanafani
A progressiva transformação dos ambientes conduz o público até a última parte do espetáculo. Depois das imagens de destruição, os atores compartilham com o público alimento enquanto cantam e dançam em uma espécie de museu de memórias palestinas. A lógica da representação cede espaço ao encontro.
No encerramento, atores e espectadores são convidados a dançar juntos o dabke, dança tradicional palestina.
Depois de atravessar imagens de morte, expulsão e destruição, a peça termina com corpos novamente reunidos em torno da música, da comida e da dança.
O gesto sintetiza uma das ideias que percorrem toda a montagem: diante das tentativas de apagamento, "Nossa Palestina" procura fazer do teatro um lugar onde a memória possa continuar circulando entre os vivos.
SINOPSE
A peça procura pensar o que fazer diante da violência e do apagamento. A experiência começa no bar. Diante do público, uma roda de samba inicia a apresentação com uma pergunta que atravessará toda a montagem: “ainda é possível cantar diante do genocídio em Gaza?” Poesia, testemunho, música, documento histórico e imagens de arquivo se contaminam em um espetáculo que recupera histórias e personagens da cultura e da luta política palestinas, discutindo a construção histórica da imagem do árabe e do palestino no cinema e nos meios de comunicação.
SOBRE O NÚCLEO LEILA KHALED
O Núcleo Leila Khaled de Teatro e Cinema é um Núcleo de Educação Popular focado no ensino de cinema e teatro. Funciona como um laboratório experimental de criação e formação. Reúne artistas de diferentes áreas em um processo pedagógico que articula teatro, cinema, música, pesquisa histórica e intervenção estético-política nas ruas.
DIREÇÃO
Rogério Tarifa é diretor, ator, dramaturgo, cenógrafo e diretor de arte, formado pela Escola de Arte Dramática da ECA-USP. Ligado à história do teatro de grupo paulistano, dirigiu, entre outros trabalhos, Um Grito Parado no Ar, O que nos Mantém Vivos e ANONIMATO. Foi vencedor do Prêmio Shell na categoria cenário por Cantata para um Bastidor de Utopias e indicado ao mesmo prêmio na categoria direção.
Thiago B. Mendonça é diretor, roteirista e dramaturgo. Bacharel em Ciências Sociais pela USP, estudou cinema na UnB e é mestre e doutorando em audiovisual pela ECA-USP. Seus filmes receberam mais de uma centena de prêmios em festivais nacionais e internacionais. Entre seus longas estão Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita não é um Urso que Dança, Um Filme de Cinema e Curtas Jornadas Noite Adentro. Foi integrante do grupo teatral Folias D’Arte. É coordenador do Núcleo Leila Khaled e da Universidade dos Povos Livres e um dos fundadores do Cordão da Mentira.
Osvaldo Pinheiro da Silva é ator, arte-educador, pesquisador e coordenador pedagógico. Mestre em Artes pela UNESP e licenciado em Artes Cênicas e Pedagogia, integra a Cia. Estável de Teatro e possui trajetória em espetáculos como Patética, A Exceção e a Regra, Homem Cavalo, Sociedade Anônima e O Auto do Circo. Atualmente coordena, dirige e atua no Núcleo Leila Khaled.
Produção: Núcleo Leila Khaled de Teatro e Cinema e Centro Cultural Al Janiah
Direção: Rogério Tarifa, Thiago B. Mendonça e Osvaldo Pinheiro da Silva
Dramaturgia: Thiago B. Mendonça, a partir de textos de Mahmoud Darwish, Leila Khaled, Ghassan Kanafani, Tawfik Zayyad, Eduardo Galeano e Bertolt Brecht
Elenco: Camilo Mota, Domi Gaia, Ed Matos Silva, Eliane Rossetto, Flávia Duarte, Gabriel Di Maria, Isadora Mendonça, Keila Martins, Nadir Albino, Osmar Guerra, Osvaldo Pinheiro da Silva, Paulo Bandouki, Raíssa B. Kaspar, Rommaní Carvalho, Samu F. Oliveira e Silvina Elias.
Direção musical e preparação vocal: Natália Nery
Preparação corporal: Danilo Nonato
Preparação para dança dabke: Zuhair Saeed
Direção de arte: Rogério Tarifa
Figurinos: Clarisse Kubrusly e Rogério Tarifa
Produção: Flávia Duarte, Keila Martins e Rogério Tarifa
Assessoria de imprensa: Rafael Ferro
“NOSSA PALESTINA” (Espetáculo Teatral Multimídia)
Com Núcleo Leila Khaled de Teatro e Cinema
De 01 de Novembro à 14 de Dezembro de 2026
Domingos, às 18h e Segundas-feiras, às 20h
14 anos | 100 minutos | Ingressos: R$ 50 (int) e R$ 25 (meia)
Venda via Sympla: https://www.sympla.com.br/
Centro Cultural Al Janiah
Rua Rui Barbosa 269, Bela Vista/SP
Telefone: (11) 9.4222-5509
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