Estreia em Paris: Janaina Torres Galeria leva ‘Black to the Future’, de Manuela Navas, à Mira Art Fair

 A brasileira Janaina Torres Galeria estreia em Paris, na Mira Art Fair,

com ‘Black to the Future’: solo de Manuela Navas que reimagina o papel relegado ao corpo e à subjetividade da mulher negra no Brasil

Na feira, que reúne expoentes da arte contemporânea latino-americana, a galeria apresenta obras inéditas que celebram a resistência negra por meio da liberdade e do deleite no cotidiano

 




Obra:dança n29 / entrelaçamento (série Black to the Future), 2026. Foto:Filipe Berndt

 

 

“Quantos futuros foram interrompidos antes mesmo de poderem ser imaginados?

Essa pergunta atravessa a experiência das mulheres negras de maneira particular. O corpo negro feminino foi historicamente submetido a formas específicas de exploração, representação e controle. Ao pensar a casa, o trabalho, a maternidade e o desejo, interessa-me também questionar os lugares que foram historicamente destinados às mulheres negras e as formas pelas quais esses lugares atravessam a construção da subjetividade.” Manuela Navas
 

De 12 a 15 de novembro, a Janaina Torres Galeria chega a Paris para sua estreia na Mira Art Fair, feira que traz à Maison de l'Amérique latine, no coração da capital francesa, nomes de destaque da arte contemporânea latino-americana.
 

Ocupando o estande [C11], a galeria apresenta o projeto solo ‘Black to the Future’, com obras inéditas da artista visual Manuela Navas (Jundiaí, Brasil, 1996). Autodidata, a artista parte de uma perspectiva autobiográfica para investigar, por meio da pintura, narrativas afro-diaspóricas, em especial sobre a mulher negra brasileira. O projeto reafirma a missão da galeria de ampliar a visibilidade da arte contemporânea do Brasil no cenário internacional.
 

A série ‘Black to the Future’, iniciada em 2022 e que se tornou um marco na produção de Navas, parte de arquivos familiares e memórias pessoais da artista para celebrar a dimensão intergeracional como elo entre a memória, a experiência atual e as possibilidades de futuro. Manuela destaca o corpo da mulher negra em momentos de alteridade e deleite: as cenas retratam a celebração, a intimidade, o cotidiano, o lazer, a comunhão e o afeto e, assim, a artista repensa sua própria existência (e a de seus pares).
 

Nas obras de Manuela, as roupas antigas, os interiores, os tons quentes e amarelados, remetem à atmosfera das fotografias envelhecidas dos álbuns de família, produzindo uma temporalidade deslocada e ficcional. Como uma observadora de sua própria história, a artista escolhe recortes que valorizam o tempo em suspensão, abrindo espaço para que vivências cotidianas ressignifiquem a história individual e coletiva. “Os festejos surgem como pausas vitais, onde corpos e olhares se encontram. Cada pincelada reinventa o passado, projetando um futuro impregnado de liberdade e alteridade.” Destaca a galerista Janaina Torres.
 

Em suas telas o corpo aparece como lugar de afirmação da identidade, autonomia e pertencimento: na festa, na casa, no dia-a-dia – desde o trabalho até o momento de pausa ou desfrute. São imagens de uma vida aparentemente comum mas que projetam um futuro em que mulheres negras podem simplesmente existir em toda a sua complexidade.

 


Obra: dança n30 / entrelaçamento (série Black to the Future), 2026_Foto :Filipe Berndt

 

 

Manuela Navas: arte visuais e a intersecção com outras linguagens

Manuela traz como uma das marcas de sua trajetória o diálogo com diferentes expressões artísticas e criativas. Tanto no Brasil como no exterior, a artista realiza colaborações com outras linguagens, em especial a música, a literatura e a moda. A própria série ‘Black to the Future’ é um exemplo dessa intersecção com outros modos de criação – No caso da música, a série faz parte do videocenário produzido para a histórica turnê ‘O Maior Encontro do Samba’, que reúne no mesmo palco as lendas da música brasileira Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão. A mesma série deu origem à capa do disco ‘Pelos olhos do mar’, de Lia de Itamaracá - uma das maiores mestras da cultura tradicional brasileira - e da premiada cantora Daúde, bem como à elementos cenográficos do show de celebração dos 40 anos de carreira do icônico sambista Zeca Pagodinho.
 

Na moda, a marca italiana Retori levou à Semana de Moda de Milão 2026 uma coleção inteira inspirada em telas da artista. Na literatura, Manuela é coautora, junto a Itamar Vieira Junior, do premiado livro para as infâncias ‘Chupim’ (2024), no qual teve suas obras como ilustrações. Manuela ainda teve suas telas estampando as capas das edições comemorativas de três livros da renomada autora brasileira Conceição Evaristo, o "Insubmissas lágrimas de mulheres", o "Poemas da recordação e outros movimentos" e o "Histórias de leves enganos e parecenças", publicados na ocasião dos 10 anos da editora Malê.

 

Ainda, entre os destaques da trajetória da artista podemos ressaltar sua participação na exposição Encantário Ibejis, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo (2026); na coletiva ‘Funk: um grito de ousadia e liberdade’ – que esteve no Museu da Lingua Portuguesa, em São Paulo (2026), na França na Maison Folie Wazemmes, em Lille (2025) e no Museu de Arte do Rio (2023) – ; na coletiva ‘⁠Dos Brasis - Arte e Pensamento Negro´, apresentada no Sesc Belenzinho, em São Paulo (2023); sua individual ‘tudo é sonho / improviso impermutável e a impossibilidade de ser’, que teve sede no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro (2025), além do ingresso de obra da artista no acervo do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) - RJ, como parte do programa de revitalização do acervo do Museu, em que artistas contemporâneos foram convidados para dialogarem com o acervo histórico da instituição.

 

Manuela Navas (Jundiaí, Brasil, 1996)

Coleções

Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

 

Prêmios

2025 FNLIJ Ofélia Fontes — O Melhor Livro para Criança

FNLIJ — Revelação Ilustrador

 

Exposições individuais/Solo shows

2026 Chupim, Retori Salotto, Milano, Italia

2025 tudo é sonho / improviso impermutável e a impossibilidade de ser, Centro

Cultural Correios do Rio de Janeiro, Brasil

Caminho para casa – o mar é sempre mais pra dentro, Museu de Arte e Cultura,

Caraguatatuba, Brasil

2022 O concreto que evapora, Bacorejo Arte, Rio de Janeiro, Brasil

Lembranças inventadas, Vista Projects Space / Monti8, Itália

 

Exposições coletivas

Encantário Ibejis, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, São Paulo - Brasil (2026)

2026 Dignidade e Luta: Laudelina de Campos Mello, IMS Paulista, São Paulo - Brasil

Abolicionistas Brasileiras, Casa da Cultura da América Latina, Brasília - Brasil

Abolicionistas Brasileiras, Centro Cultural São Paulo, São Paulo - Brasil

Abolicionistas Brasileiras, MAMAM, Recife - Brasil

Só um minuto?, Centro Cultural PGE-RJ, Rio de Janeiro - Brasil

É Tempo Ainda, Janaina Torres Galeria, São Paulo - Brasil

2025 Festas, sambas e outros carnavais, Museu do Pontal, Rio de Janeiro, Brasil

Dignidade e Luta: Laudelina de Campos Mello, IMS Poços de Caldas, Brasil

Em busca do tempo roubado, Galeria Flexa, Rio de Janeiro, Brasil

Funk: um grito de ousadia e liberdade, Maison Folie Wazemmes, Lille, França

Funk: um grito de ousadia e liberdade, Museu da Língua Portuguesa, São Paulo,

Brasil

2024 Lélia em nós: festas populares e amefricanidade, Sesc Vila Mariana, São Paulo,

Brasil

2023 Pega a visão, Bacorejo Arte, Rio de Janeiro, Brasil

Dos Brasis - Arte e Pensamento Negro, Sesc Belenzinho, São Paulo, Brasil

Funk: um grito de ousadia e liberdade, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro,

Brasil

Laroyê - Grande Rio, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil

1973 - 50 anos depois, Bacorejo Arte, Rio de Janeiro, Brasil

Ah, eu amo as mulheres brasileiras!, Centro Cultural São Paulo, Brasil

Ah, eu amo as mulheres brasileiras!, MAC Niterói, Brasil

2022 Alguma versão do que aconteceu, Casa Bicho, Rio de Janeiro, Brasil

ELEMENTS, UUU Art Collective, Rochester, New York, USA

Artistas Latinas, estande ArtRio Institucional, Rio de Janeiro, Brasil

 

Projetos especiais

Capas de livros

2026 Insubmissas lágrimas de mulheres, Conceição Evaristo, Editora Malê

Poemas da recordação e outros movimentos, Conceição Evaristo, Editora Malê

Histórias de leves enganos e parecenças, Conceição Evaristo, Editora Malê

2024 Virgínia Mordida, Jeovanna Vieira, Editora Companhia das Letras

Que maluquice é essa? Escrevivência preta cênica, Cláudia Simone dos Santos

Oliveira, Editora Philos

2023 Basta um, Flora Nwapa, Roça Nova Editora

Balanço Afiado, Allan da Rosa e Deivison Faustino, Editora Fósforo + editora

Perspectiva

Olhos a Navegar, Chris Facó, Editora Philos

 

Outros

2026 Pinturas da artista integram o cenário do show O Maior Encontro do Samba,

com Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão

2025 Capa para o álbum “Pelos olhos do mar” de Lia de Itamaracá e Daúde, Selo SESC

2024 Cenografia para Celebração aos 40 anos de carreira do Zeca Pagodinho

Ilustração do livro “Chupim”, em co-autoria com o escritor Itamar Vieira Junior -

Editora Baião/Todavia

Bandeira do Museu de Arte do Rio com a pintura “Revoada de Chupim”

Mural “fio da memória”, Ceu Pinheirinho D’água, São Paulo

Cenografia Festival Aliança Global G20, Rio de Janeiro

2023 Cenografia para o Programa Metrópolis, TV Cultura

2022 Empena “Odo Nnyew Fie Kwan / Joy as an act of resistance”, Nalata Festival, 3a

edição

 

Publicações

2026 Máquina de Ritmo: Som e música na arte brasileira, Act Arte.

 

Janaina Torres Galeria

Fundada em 2016, a galeria desenvolve um programa curatorial dedicado à produção contemporânea brasileira, refletindo um amplo contexto cultural e atento tanto às investigações formais quanto à sua relevância diante das questões sociais, políticas e culturais. Essa perspectiva orienta a seleção dos artistas representados, cujas trajetórias são acompanhadas pela galeria, que atua na difusão de suas produções e na construção de suas carreiras, inserindo suas obras em importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior. Ao longo de sua trajetória, a galeria estabeleceu parcerias com mais de quarenta instituições nacionais e internacionais, entre elas a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Instituto Inhotim (Brumadinho, MG), o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri), a Fundação Capriles Brillembourg (Madri), a El Espacio 23 – Jorge M. Pérez Collection (Miami), o Museum of Latin American Art (Long Beach, Califórnia) e a AkzoNobel Art Foundation (Holanda), entre outras. A galeria participou de mais de vinte edições de feiras de arte nacionais e internacionais, incluindo SP–Arte, ArtRio, Pinta Miami (EUA) e Zona MACO (Cidade do México). São representados pela Galeria os artistas: Andrey Guaianá Zignnatto, Antonio Oloxedê, Caio Pacela, Daniel Jablonski, Dee Lazzerini, Feco Hamburger, Helena Martins-Costa, Jeane Terra, Kika Levy, Kitty Paranaguá, Laíza Ferreira, Liene Bosquê, Luciana Magno, Manuela Navas, Marga Ledora, Marina Godoy, Nita Monteiro, Osvaldo Carvalho, Pedro David, Pedro Moraleida, Sandra Mazzini e Vivi Rosa.

 

 

Serviço

Janaina Torres Galeria na Mira ArtFair: solo Black to the Future, de Manuela Navas | stand C[11]

De 12 a 15 de novembro

Datas e Horários do Evento

Quinta-feira, 12 de novembro. Vernissage de pré-estreia, das 14h às 21h.

Aberto ao público:

Sexta-feira, 13 de novembro. Vernissage VIP, das 14h às 21h.

Sábado, 14 de novembro, das 14h às 21h.

Domingo, 15 de novembro, das 14h às 18h.

Local: Maison de l'Amérique latine

Endereço: 217 BD Saint-Germain. 75007. Paris.

Mais informações: Link

 

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Instagram: @janainatorresgaleria