Dia Nacional do Livro: Conheça autores que cruzaram fronteiras em busca de histórias marcantes ao redor do mundo
Dia Nacional do Livro:
Conheça autores que cruzaram fronteiras em busca de histórias marcantes ao
redor do mundo
Da atuação humanitária em cenários de conflito às viagens de
bicicleta pelo mundo, autores encontram nos livros uma forma de compartilhar
experiências e ampliar o alcance de suas histórias
Celebrado
em 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro
é uma oportunidade para conhecer histórias de brasileiros que
encontraram na literatura uma maneira de compartilhar experiências,
conhecimentos e diferentes perspectivas sobre o mundo. Entre eles estão Daniela
Kallas, advogada humanitária e empreendedora social, e Beto Ambrosio, fotógrafo
e cicloviajante.
Com
trajetórias distintas, os dois autores mostram como vivências pessoais e
profissionais podem se transformar em obras capazes de aproximar leitores de
realidades diferentes, seja por meio de relatos de viagens, seja pela reflexão
sobre questões humanitárias e os impactos dos conflitos armados em diferentes
países.
Daniela
Kallas: As Fronteiras do Colapso
Advogada
humanitária e empreendedora social, Daniela Kallas reúne em sua trajetória mais
de duas décadas de atuação em missões e projetos de impacto na Ásia, no Oriente
Médio, na Europa, na África e na América Latina. As experiências acumuladas ao
longo desse percurso se conectam aos temas de seu livro As Fronteiras do
Colapso, escrito em parceria com a psicóloga Anália Belisa Ribeiro.
A obra aborda crises humanitárias do século XXI, explorando questões como os
efeitos das guerras sobre mulheres e crianças, o tráfico de pessoas, a
escravidão moderna e as migrações forçadas. A partir desses temas, as autoras
discutem como a violência e a exploração comprometem direitos fundamentais e
atingem, de maneira particular, pessoas que vivem em situações de
vulnerabilidade.
O
livro também estabelece uma relação entre esses desafios e os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações
Unidas (ONU), colocando em perspectiva a distância entre os compromissos
globais de promoção da dignidade humana e a realidade enfrentada por populações
afetadas por conflitos e outras crises. O título chama atenção para fronteiras
que vão além das divisões territoriais: aquelas que separam indivíduos de seus
direitos, de sua liberdade e das condições necessárias para viver com
dignidade.
Ao
reunir perspectivas do Direito Internacional Humanitário e da Psicologia,
Daniela e Anália aproximam o leitor de problemas que muitas vezes aparecem nas
notícias por meio de números e estatísticas, mas que envolvem histórias de
pessoas, famílias e comunidades. A publicação busca ampliar a compreensão sobre
essas realidades e os desafios para construir respostas mais efetivas às crises
humanitárias.
Especialista
em Direito Internacional Humanitário pela Université Paris I e mestre em
Direito Europeu e Internacional pela Université Paris II, Daniela também atua
como professora e conselheira de organizações ligadas ao impacto social. Sua
experiência profissional contribui para contextualizar os desafios abordados na
obra, conectando direitos humanos, relações internacionais e desenvolvimento
sustentável.
Beto
Ambrosio: Fé Latina
Fotógrafo
e cicloviajante, Beto Ambrosio encontrou nas viagens de bicicleta a inspiração
para produzir três livros independentes, reunindo fotografias, histórias e
experiências vividas ao longo de suas jornadas. Seu primeiro título se aproxima
da décima edição, é um best-seller independente e está próximo da marca de 30
mil exemplares vendidos, resultado expressivo para uma publicação independente.
Beto
trabalha em suas obras a ideia de que existem mais pessoas boas do que ruins no
mundo, usando a bicicleta como uma ferramenta de humildade para se aproximar
das pessoas e das culturas que conheceu
ao longo de suas aventuras.
No
primeiro livro da série, “Fé Latina – Uma volta de bicicleta pela
América Latina”, acompanhamos Beto por 17 países da América Latina, em uma
viagem que durou 2 anos, 8 meses e 13 dias. A obra nasceu a partir dos diários
que o autor escreveu em tempo real, permitindo que o leitor se aproxime de
todas as vivências de Beto de uma forma emocionante, acompanhando os momentos
em que ele foi recebido de braços abertos por comunidades humildes, quando ele
dormia em corpos de bombeiros ou a céu aberto nas praias, o gesto inocente de
uma criança ao compartilhar seu lanche da escola com o visitante desconhecido,
ou quando um casal pediu para que Beto cantasse enquanto eles entregavam as
cinzas de sua falecida filha ao mar.
Beto viveu diversos
momentos emocionantes e foi abraçado por inúmeras pessoas durante sua
travessia, e em 2018 transformou essas histórias em um testemunho da sua fé na
humanidade. Realizando o mesmo processo em sua viagem para a Patagônia
Argentina e em seu percurso pela Estrada Real, sempre explorando sua fé e o
autoconhecimento.
Além
da produção editorial, Beto desenvolveu uma maneira pouco convencional de
aproximar seus livros dos leitores. Desde 2022, ele trabalha como motorista por aplicativo e
aproveita as viagens para apresentar suas obras aos passageiros, criando uma
oportunidade de divulgação e venda diretamente com o público.
Além
das corridas por aplicativo, Beto ministra palestras sobre o projeto Fé Latina,
tratando de temas como resiliência, senso de comunidade e determinação,
trabalha em um próximo livro sobre sua viagem pelo sudeste asiático e organiza
futuras viagens.
Histórias
que encontram novos leitores
Embora
partam de experiências distintas, Daniela Kallas e Beto compartilham a
iniciativa de transformar suas vivências em narrativas que podem alcançar
outras pessoas. Enquanto a atuação humanitária de Daniela leva questões
internacionais e sociais à reflexão dos leitores, os livros de Beto apresentam
uma proposta de desacelerar, desconectar e se autoconhecer, reunindo relatos
pessoais e fotografias.
No
Dia Nacional do Livro, suas trajetórias ajudam a mostrar a diversidade de
caminhos que levam à publicação de uma obra e como a experiência de cada autor
pode se tornar uma oportunidade de compartilhar conhecimento, despertar
curiosidade e ampliar perspectivas.

